domingo, 28 de setembro de 2014

VOTAR, VOTAR, VOTAR...


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Benilson Toniolo

Faltando sete dias para a o dia da votação, tem uma coisa nestas pesquisas de intenção de voto para presidente da República que me incomoda muito. Segundo divulgado, a presidente Dilma tem 40% das intenções de voto, contra 27% de Marina Silva e 18% de Aécio Neves. Resultado, dizem, do verdadeiro apedrejamento a que foi submetida a segunda colocada. Tanto PT quanto PSDB trataram de difamar, maldizer, caluniar e declarar mentiras descaradas sobre a personalidade, a trajetória e os planos de governo da candidata do PSB. Só faltou responsabilizá-la pela goleada sofrida pela Seleção na Copa do Mundo e acusá-la de fazer parte do rol de terroristas do Estado Islâmica. Tudo isso pelo simples fato de Marina representar, hoje, uma oportunidade real de derrotar Dilma e desalojar o PT do Palácio do Planalto.
A pesquisa mostra que a estratégia de insultos e difamações deu certo. Dilma e Aécio cresceram e Marina perdeu votos. Mas é neste ponto que reside uma questão: por quê? E a resposta é simples: porque o eleitor brasileiro é, em grande parte, uma figura que aparentemente pouco lê, quase nada se informa e nada reflete. Parar para pensar na conjuntura política eleitoral não é prática do eleitor brasileiro, que prefere decidir seu voto pela aparência dos candidatos e pelo que vê na propaganda gratuita da tevê. Grande parte do eleitorado brasileiro não votará em Marina porque ela é feia, evangélica e nunca administrou nada, como ouvi por aí.  Não vota em Aécio porque ele é gago e não convence em seus pronunciamentos, como também já me disseram. E não vota em Dilma porque ela é da “quadrilha do PT”. Ou seja, mais superficial, impossível.
Poucos votam pelas propostas, pelo planejamento ou pelos nomes dos coordenadores  envolvidos nas campanhas de cada um. Poucos consideram contextos e planos de governo. Grande parte dos brasileiros ainda vota levando em conta questões de nenhuma profundidade, como a empatia dos candidatos ou a sinceridade dos seus sorrisos. Boa oratória não faz de ninguém um administrador competente, nem permitirá que os dependentes do Bolsa Família passem a viver com dignidade, com dinheiro oriundo do próprio trabalho. Vestir vermelho não resolve a conjuntura econômica nem o caos em que se transformou a saúde pública. Ser neto de um político que marcou a história do País por sua morte inesperada não voltará a aumentar nossa taxa de exportações, nem mostrará a saída para o labirinto em que e Educação se encontra.
Votar em Dilma é aceitar que o ladrão continue a tomar conta do cofre.
Votar em Marina é aceitar seu passado de 30 anos como filiada do PT e sua pífia atuação como Ministra do Meio-Ambiente, além do fato de que ela se tornou candidata somente do dia 13 de agosto para cá devido à trágica morte do primeiro nome da chapa.
Votar em Aécio é endossar um partido que, provavelmente por também ter o telhado de vidro, se omitiu quando tinha tudo para, como oposição, impedir que o PT continuasse a sangrar com ferocidade incontrolável os cofres públicos da  Nação.
E quando as mesmas pesquisas mostram que Paulo Maluf, o palhaço Tiririca e Celso Russomanno são os lideres nas intenções de voto para deputado federal no Estado de São Paulo, confesso que desanimo.
É duro admitir, mas estou quase convencido que ainda não será desta vez que as urnas nos mostrarão uma sociedade amadurecida e verdadeiramente comprometida com nosso futuro político.

E quem diz isto não sou eu. São as pesquisas.

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