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Benilson Toniolo
Faltando sete dias para a o dia da votação, tem uma coisa
nestas pesquisas de intenção de voto para presidente da República que me
incomoda muito. Segundo divulgado, a presidente Dilma tem 40% das intenções de
voto, contra 27% de Marina Silva e 18% de Aécio Neves. Resultado, dizem, do
verdadeiro apedrejamento a que foi submetida a segunda colocada. Tanto PT
quanto PSDB trataram de difamar, maldizer, caluniar e declarar mentiras
descaradas sobre a personalidade, a trajetória e os planos de governo da
candidata do PSB. Só faltou responsabilizá-la pela goleada sofrida pela Seleção
na Copa do Mundo e acusá-la de fazer parte do rol de terroristas do Estado
Islâmica. Tudo isso pelo simples fato de Marina representar, hoje, uma
oportunidade real de derrotar Dilma e desalojar o PT do Palácio do Planalto.
A pesquisa mostra que a estratégia de insultos e
difamações deu certo. Dilma e Aécio cresceram e Marina perdeu votos. Mas é
neste ponto que reside uma questão: por quê? E a resposta é simples: porque o
eleitor brasileiro é, em grande parte, uma figura que aparentemente pouco lê,
quase nada se informa e nada reflete. Parar para pensar na conjuntura política
eleitoral não é prática do eleitor brasileiro, que prefere decidir seu voto
pela aparência dos candidatos e pelo que vê na propaganda gratuita da tevê.
Grande parte do eleitorado brasileiro não votará em Marina porque ela é feia,
evangélica e nunca administrou nada, como ouvi por aí. Não vota em Aécio porque ele é gago e não
convence em seus pronunciamentos, como também já me disseram. E não vota em
Dilma porque ela é da “quadrilha do PT”. Ou seja, mais superficial, impossível.
Poucos votam pelas propostas, pelo planejamento ou pelos
nomes dos coordenadores envolvidos nas
campanhas de cada um. Poucos consideram contextos e planos de governo. Grande
parte dos brasileiros ainda vota levando em conta questões de nenhuma
profundidade, como a empatia dos candidatos ou a sinceridade dos seus sorrisos.
Boa oratória não faz de ninguém um administrador competente, nem permitirá que
os dependentes do Bolsa Família passem a viver com dignidade, com dinheiro
oriundo do próprio trabalho. Vestir vermelho não resolve a conjuntura econômica
nem o caos em que se transformou a saúde pública. Ser neto de um político que
marcou a história do País por sua morte inesperada não voltará a aumentar nossa
taxa de exportações, nem mostrará a saída para o labirinto em que e Educação se
encontra.
Votar em Dilma é aceitar que o ladrão continue a tomar
conta do cofre.
Votar em Marina é aceitar seu passado de 30 anos como
filiada do PT e sua pífia atuação como Ministra do Meio-Ambiente, além do fato
de que ela se tornou candidata somente do dia 13 de agosto para cá devido à
trágica morte do primeiro nome da chapa.
Votar em Aécio é endossar um partido que, provavelmente por também ter o telhado de vidro, se omitiu quando
tinha tudo para, como oposição, impedir que o PT continuasse a sangrar com
ferocidade incontrolável os cofres públicos da
Nação.
E quando as mesmas pesquisas mostram que Paulo Maluf, o
palhaço Tiririca e Celso Russomanno são os lideres nas intenções de voto para
deputado federal no Estado de São Paulo, confesso que desanimo.
É duro admitir, mas estou quase convencido que ainda não
será desta vez que as urnas nos mostrarão uma sociedade amadurecida e
verdadeiramente comprometida com nosso futuro político.
E quem diz isto não sou eu. São as pesquisas.

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