domingo, 7 de setembro de 2014

DOMINGAÇÕES DE 31 DE AGOSTO DE 2014

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Benilson Toniolo

Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal encaminharam para o Congresso um pedido de aumento de salário. Se aprovado (alguém tem alguma dúvida que será?), cada um deles terá seu salário majorado de quase 30 mil para cerca de 36 mil mensais, mais carro com motorista, passagens aéreas e diárias quando em viagem. Há, e sempre há, outras benesses não declaradas. Só com isso, segundo os cálculos do articulista Elio Gaspari, cada ministro do STF custa para os cofres públicos a bagatela de 210 mil dólares por ano, só de salários. Nos Estados Unidos, os nove ministros da Suprema Corte custam 214 mil dólares cada, mais nada. Dirigem seus próprios veículos e pagam do próprio bolso suas despesas de viagem.


Ao contrário de Dilma Roussef, Evo Morales deve ser reeleito presidente da Bolívia nas eleições marcadas para o dia 12 de outubro. A Bolívia, nas mãos de Evo, transformou-se no paraíso das bolsas auxilio, com distribuição de renda para famílias que mantém crianças na escola, grávidas ou mulheres que acabaram de dar à luz e idosos que nunca contribuíram para o sistema previdenciário. Até aí, nenhuma novidade para nós, brasileiros. O que pouca gente sabe, e que Clóvis Rossi ressalta em sua coluna, é que a Bolívia cresceu 6,8% em 2013 e deve crescer 5,7% neste ano. De janeiro a agosto, o índice de crescimento do PIB já chegou aos 5%. ‘Estagnação econômica”, na Bolívia de Evo Morales, só se usa quando alguém se refere a países como o Brasil, por exemplo, e El Salvador –as piores nações latino-americanas quando se fala em crescimento econômico. Melhor dizendo, as duas nações que não crescem no continente. E isto é mais representativo que quaisquer pesquisas de intenção de voto.


Eliane Cantanhêde: “não há uma crise, há uma má gestão. Como Campos dizia, ‘Dilma é a primeira presidente a entregar o país pior do que encontrou. Dilma e Mantega culpam o cenário internacional. Marina, rumo à vitória, e Aécio dizem que não é bem assim e apontam quem vai aranhar o joelho, cortar o cotovelo e talvez machucar a cabeça se a economia for ladeira abaixo. O eleitor, claro”.


Secret é o nome do aplicativo para telefones celulares criado para que as pessoas possam publicar, curtir, compartilhar e comentar frases e fotos sem necessidade de identificação. Segundo seus criadores, foi criado para se tornar uma espécie de auto-ajuda, onde as pessoas pudessem pedir conselhos sem se identificar. Pois bem. Recém-chegado ao Brasil, o aplicativo se tornou um inferno para professores e administradores de escolas, devido ao fato de, justamente por não exigir identificação, servir de instrumento para que jovens, adolescentes e adultos façam uso do aplicativo para, protegidos pela película do anonimato, caluniar, difamar, constranger e criar fotomontagens envolvendo pessoas do seu círculo de amizades e, em especial, seus desafetos. Fotos, comentários e demais publicações ,em geral mentirosas e de cunho pornográfico, são compartilhadas em grande escala e transformam em um verdadeiro inferno a vida de todos. Mais do que um simples bullying cibernético, trata-se da mais pura faceta da canalhice humana.  Já há registros de tentativas de suicídio, internações e agendamento de consultas com psicólogas tanto para vítimas das postagens quanto para aqueles que não conseguem parar de usar o aplicativo.
As escolas fazem o que podem. Agendam palestras de aconselhamento com advogados que alertam para os riscos jurídicos de postagens mentirosas, tanto para os alunos quanto para os pais e responsáveis, bloqueiam o acesso ao site nas redes internas e quebram a cabeça para que incitações ao ódio, ao racismo e mensagens alusivas a comportamentos autodestrutivos comprometam o ambiente dentro da escola.
A coisa vai longe. A Justiça do Espírito Santo mandou Google e Apple suspenderem a venda do aplicativo no Estado e o removerem remotamente dos aparelhos em que estão instalados. Medida restritiva, mas limitada: nada pode impedir alguém de reinstalar o aplicativo apenas acessando o site.

Tudo isso para mostrar que estamos ainda muito longe do dia em que usaremos a internet, assim como outros recursos, somente para o que edifica e ajuda a desenvolver nossa espécie. Desconfio, enfim que somos mesmo um bicho que nasceu sob o signo da auto-destruição.


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