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Benilson Toniolo
Os 11 ministros do Supremo Tribunal
Federal encaminharam para o Congresso um pedido de aumento de salário. Se
aprovado (alguém tem alguma dúvida que será?), cada um deles terá seu salário
majorado de quase 30 mil para cerca de 36 mil mensais, mais carro com
motorista, passagens aéreas e diárias quando em viagem. Há, e sempre há, outras
benesses não declaradas. Só com isso, segundo os cálculos do articulista Elio
Gaspari, cada ministro do STF custa para os cofres públicos a bagatela de 210
mil dólares por ano, só de salários. Nos Estados Unidos, os nove ministros da
Suprema Corte custam 214 mil dólares cada, mais nada. Dirigem seus próprios
veículos e pagam do próprio bolso suas despesas de viagem.
Ao contrário de Dilma Roussef, Evo
Morales deve ser reeleito presidente da Bolívia nas eleições marcadas para o
dia 12 de outubro. A Bolívia, nas mãos de Evo, transformou-se no paraíso das
bolsas auxilio, com distribuição de renda para famílias que mantém crianças na
escola, grávidas ou mulheres que acabaram de dar à luz e idosos que nunca
contribuíram para o sistema previdenciário. Até aí, nenhuma novidade para nós,
brasileiros. O que pouca gente sabe, e que Clóvis Rossi ressalta em sua coluna,
é que a Bolívia cresceu 6,8% em 2013 e deve crescer 5,7% neste ano. De janeiro
a agosto, o índice de crescimento do PIB já chegou aos 5%. ‘Estagnação
econômica”, na Bolívia de Evo Morales, só se usa quando alguém se refere a
países como o Brasil, por exemplo, e El Salvador –as piores nações
latino-americanas quando se fala em crescimento econômico. Melhor dizendo, as
duas nações que não crescem no continente. E isto é mais representativo que quaisquer
pesquisas de intenção de voto.
Eliane Cantanhêde: “não há uma crise, há
uma má gestão. Como Campos dizia, ‘Dilma é a primeira presidente a entregar o
país pior do que encontrou. Dilma e Mantega culpam o cenário internacional.
Marina, rumo à vitória, e Aécio dizem que não é bem assim e apontam quem vai
aranhar o joelho, cortar o cotovelo e talvez machucar a cabeça se a economia
for ladeira abaixo. O eleitor, claro”.
Secret é o nome do aplicativo para
telefones celulares criado para que as pessoas possam publicar, curtir,
compartilhar e comentar frases e fotos sem necessidade de identificação.
Segundo seus criadores, foi criado para se tornar uma espécie de auto-ajuda,
onde as pessoas pudessem pedir conselhos sem se identificar. Pois bem.
Recém-chegado ao Brasil, o aplicativo se tornou um inferno para professores e
administradores de escolas, devido ao fato de, justamente por não exigir
identificação, servir de instrumento para que jovens, adolescentes e adultos façam
uso do aplicativo para, protegidos pela película do anonimato, caluniar,
difamar, constranger e criar fotomontagens envolvendo pessoas do seu círculo de
amizades e, em especial, seus desafetos. Fotos, comentários e demais
publicações ,em geral mentirosas e de cunho pornográfico, são compartilhadas em
grande escala e transformam em um verdadeiro inferno a vida de todos. Mais do que
um simples bullying cibernético, trata-se da mais pura faceta da canalhice
humana. Já há registros de tentativas de
suicídio, internações e agendamento de consultas com psicólogas tanto para
vítimas das postagens quanto para aqueles que não conseguem parar de usar o
aplicativo.
As escolas fazem o que podem. Agendam
palestras de aconselhamento com advogados que alertam para os riscos jurídicos
de postagens mentirosas, tanto para os alunos quanto para os pais e
responsáveis, bloqueiam o acesso ao site nas redes internas e quebram a cabeça
para que incitações ao ódio, ao racismo e mensagens alusivas a comportamentos
autodestrutivos comprometam o ambiente dentro da escola.
A coisa vai longe. A Justiça do Espírito
Santo mandou Google e Apple suspenderem a venda do aplicativo no Estado e o
removerem remotamente dos aparelhos em que estão instalados. Medida restritiva,
mas limitada: nada pode impedir alguém de reinstalar o aplicativo apenas
acessando o site.
Tudo isso para mostrar que estamos ainda
muito longe do dia em que usaremos a internet, assim como outros recursos,
somente para o que edifica e ajuda a desenvolver nossa espécie. Desconfio,
enfim que somos mesmo um bicho que nasceu sob o signo da auto-destruição.

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