sábado, 27 de setembro de 2014

A VOLTA DO PAI

Benilson Toniolo


Tanto tempo depois, eis que reaparece no mesmo lugar: nos sonhos.
E está bonito, risonho, bem arrumado. O cabelo está um pouco comprido. Precisa cortar, diria a mãe.
É sempre assim: vou a caminho de algum compromisso profissional para o qual estou atrasado. Quando chego ao meu destino, ele lá está, sentado confortavelmente e muito atento ao que está a se passar: uma palestra, uma aula, uma apresentação qualquer.
Ao vê-lo, me emociono, corro em sua direção, ajoelho e o abraço longamente.
Ele fica onde está e eu me encaminho para meu compromisso.
Ah, sim: na noite passada, quando cheguei, ele sorria enquanto conversava com alguém sentado ao seu lado.
Quando o encontro, sei que ele está de volta, e tem muitas coisas para me contar.
Na noite de hoje, quando me deitar, terei o coração esperançoso e pronto para celebrar a serenidade da infância.
E sei que, de alegria e encantamento, como acontece sempre, vou chorar.

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