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Benilson Toniolo
Dois fatos importantes ligados à
campanha da presidenciável Marina Silva, do PSB, ocorridos nesta semana, ligaram
o sinal amarelo de que o País pode estar muito próximo de entrar numa barafunda
sem volta. Ei-los:
1)
A
candidata atribuiu a um “erro editorial” o trecho de seu programa de governo
anunciado no dia 29 de agosto no qual manifestava apoio a propostas da
comunidade LGBT, em que ela se comprometia a, se eleita, atuar em favor de
projetos e emendas constitucionais que
garantiriam, entre outras questões, a aprovação de lei que criminaliza a
homofobia e os direitos das uniões estáveis homoafetivas. Pressionado fortemente
por setores significativos da ala evangélica representada pelo pastor Silas
Malafaia, da Assembleia de Deus (denominação que Marina segue), contrários à
luta pela igualdade de direitos das pessoas independente de suas características
e tendências afetivas, o trecho foi suprimido do programa 24 horas depois. Em substituição,
foi inserida a expressão “garantir os direitos oriundos da união civil entre
pessoas do mesmo sexo”, o que já é garantido pelo Supremo Tribunal Federal (STF);
2)
Marina
alegou que não sabia que o jatinho utilizado por Eduardo Campos que caiu no dia
13 de agosto, matando Eduardo e sua comitiva, era bancado com dinheiro não declarado,
o chamado “caixa-dois”. Neste caso, não saber é tão grave quanto saber e não fazer
nada. Para deixar bem clara a gravidade de uma alegação como esta, Elio Gaspari
nos lembra que Lula, em uma de suas campanhas, fez uso de dois jatinhos: um pertencia
ao filho do deputado João Alves, um dos chamados Anões do Orçamento e que ficou
famoso por creditar à loteria esportiva seu abissal enriquecimento pessoal (na ocasião,
Alves declarou: ‘Deus me ajudou, e eu fiquei rico”). O segundo jatinho usado
por Lula pertencia a uma empresa que fornecia alimentos à prefeitura de São Paulo,
à época governada pelo PT. Na ocasião, Lula declarou que estavam “querendo
jogar o PT na mesma lama dos outros partidos”. Lula também não sabia da existência
do mensalão.
É através de situações
como estas, revestidas de muxoxos, dissimulações e rodapés de páginas e mal-entendidos nunca
explicados que a gente acaba tendo uma idéia de quem os políticos são, e o que em
geral escondem. Salvo engano, estamos diante de uma candidata que se reveste de
uma aura de candura e de messianismo que
esconde, no fundo, a mesma essência que caracteriza a imensa maioria dos políticos
brasileiros. Alegar desconhecimento diante de um fato tão importante como a
existência de um caixa dois em seu partido (não, a Rede não existe, o que
existe é o PSB) e mudar seu plano de governo para agradar determinada parcela
do eleitorado não é mais do que vender a alma ao diabo para ganhar uma eleição.
O que, em se tratando de Marina Silva, é uma contradição indesculpável.
O fato de Marina
substituir Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo, não quer dizer que
exista um “plano divino, arquitetado no sobrenatural” que nos obrigue a votar
nela para “que se cumpra a profecia”. Votos emocionais e sem base racional,
além de perigosos, podem ser fatais para o futuro do País. Resta a nós, os
eleitores, acompanhar atentamente o que vem por aí.

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