domingo, 22 de junho de 2014

SABADANAÇÕES - 21 DE JUNHO DE 2014

  Benilson Toniolo

Feriado de Corpus Christi é sinônimo de cidade lotada de turistas. E quando digo lotada, é lotada mesmo. De a gente não conseguir se locomover no trânsito. Dias que no final acabam sendo muito produtivos, sobretudo se o vivente tiver adquirido, ao longo da vida, uma natureza caseira e contemplativa como a minha. Tem dias, enfim, que me sinto em condições de dar uma palestra a Domenico de Mais sobre ócio criativo. E este em que estamos é um dia tipicamente benilsístico, por assim dizer.
Logo cedo, dedico-me à leitura da Folha. E é refletindo sobre o que nela li que pretendo passar boa parte deste dia (ainda mais que um incômodo inesperado surgiu na parte posterior do joelho esquerdo, impossibilitando a caminhada a que tenho me dedicado diariamente, após as primeiras sessões de fisioterapia).

Depois de surgir com uma alternativa viável num país cansado da polarização da disputa entre PT e PSDB, Eduardo Campos e seu PSB parecem, a cada dia, propor um desafio de lógica aos brasileiros que acompanham e procuram entender a cena política. Isto porque, logo depois de confirmar sua coligação com o PT para a candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Estado do Rio de Janeiro, anuncia sua coligação em São Paulo justamente com o PSDB para a reeleição de Geraldo Alckmin. Ou seja, as decisões do partido parecem pender de acordo com as possibilidades de visibilidade que terão em cada Estado. Mais difícil ainda de entender quando vemos Marina Silva, a vice de Campos, explicitar sua indignação com o que é definido pelo Partido –ela que se declara abertamente favorável a que o partido tenha candidatura própria no maior números possível de Estados da Federação, e que no entanto parece sequer ser consultada quando da tomada de decisões estratégicas importantes. Pode-se acusar o PSB de tudo, menos de colaborar para a mesmice do cenário eleitoral brasileiro. A apenas três meses das eleições, resta saber como se comportará o candidato à presidência Eduardo Campos, subindo em palanques tão diferentes e separados por cerca de 01h de ponte aérea. Parece claro que a aliança Campos-Marina começa a fazer água. Quem tudo quer...

Ponto para André Senger, falando de política e economia: “Enquanto o espetáculo da Copa do Mundo se desenrola a olhos vistos, distraindo um pouco dos problemas cotidianos, no mundo menos glamouroso da política real desenha-se um cenário preocupante. Se nada mudar, quando o país sair do sonho futebolístico vai se ver em meio a uma turbulência de longa duração.”

Para acabar de vez com a discussão em torno do fato de o resultado da Seleção Brasileira na Copa do Mundo interferirá ou não nas urnas, George Helal (que, se não me engano, foi presidente do Flamengo): em 1998, o Brasil foi goleado na final pela França e FHC foi reeleito. Em 2002, o Brasil foi campeão e a oposição venceu, com Lula. Em 2006, perdemos, e Lula foi reeleito. E em 2010, com nova eliminação, Lula elegeu Dilma, sua sucessora. O país não se contenta mais somente com bola na rede.

À revelia do Secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella, e por conseguinte do Governador Geraldo Alckmin, a Polícia Militar celebrou um ‘acordo’ com os manifestantes do Movimento Passe Livre, o MPL, de acompanhar à distância a manifestação realizada pelo grupo no último dia 19, na zona oeste de São Paulo. Resultado: com a infiltração dos black blocks, agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram invadidos e depredados, gerando um prejuízo superior a 3 milhões de reais, sem que houvesse qualquer reação por parte da PM para impedir, ou mesmo reprimir, a violência e o pânico generalizado.
Ao Secretário, pobrezinho, coube somente assumir em público, no dia seguinte, sua condição de ‘marido traído’ (aquele que é sempre o último a saber) que leva junto ladeira abaixo o próprio Governador –ambos perdidos e pegos de surpresa.
A Polícia Militar, conhecida entre outras coisas por sua celeridade na apuração de casos internos de quebras de hierarquia, ingerência e omissão cometidos por gente de sua tropa, deve uma resposta à população paulista, que é quem a sustenta. Já ao Governo do Estado, cabe afastar imediatamente o comandante da corporação responsável por celebrar e cumprir um ‘acordo’ que soa, no mínimo, estranho. Pra não dizer inconseqüente e desastroso.
Ao povo, resta engolir mais este nédio batráquio espinhudo.

No fim das contas, a verdade é que a falta de líderes reais (e não de mentirinha) continua a fazer muito mal a este país.

Sem comentários:

Enviar um comentário