Benilson Toniolo
Feriado de Corpus Christi é
sinônimo de cidade lotada de turistas. E quando digo lotada, é lotada mesmo. De
a gente não conseguir se locomover no trânsito. Dias que no final acabam sendo
muito produtivos, sobretudo se o vivente tiver adquirido, ao longo da vida, uma
natureza caseira e contemplativa como a minha. Tem dias, enfim, que me sinto em
condições de dar uma palestra a Domenico de Mais sobre ócio criativo. E este em
que estamos é um dia tipicamente benilsístico, por assim dizer.
Logo cedo, dedico-me à leitura
da Folha. E é refletindo sobre o que nela li que pretendo passar boa parte
deste dia (ainda mais que um incômodo inesperado surgiu na parte posterior do
joelho esquerdo, impossibilitando a caminhada a que tenho me dedicado
diariamente, após as primeiras sessões de fisioterapia).
Depois de surgir com uma
alternativa viável num país cansado da polarização da disputa entre PT e PSDB,
Eduardo Campos e seu PSB parecem, a cada dia, propor um desafio de lógica aos
brasileiros que acompanham e procuram entender a cena política. Isto porque,
logo depois de confirmar sua coligação com o PT para a candidatura de Lindbergh
Farias ao governo do Estado do Rio de Janeiro, anuncia sua coligação em São
Paulo justamente com o PSDB para a reeleição de Geraldo Alckmin. Ou seja, as decisões
do partido parecem pender de acordo com as possibilidades de visibilidade que
terão em cada Estado. Mais difícil ainda de entender quando vemos Marina Silva,
a vice de Campos, explicitar sua indignação com o que é definido pelo Partido
–ela que se declara abertamente favorável a que o partido tenha candidatura
própria no maior números possível de Estados da Federação, e que no entanto parece
sequer ser consultada quando da tomada de decisões estratégicas importantes.
Pode-se acusar o PSB de tudo, menos de colaborar para a mesmice do cenário
eleitoral brasileiro. A apenas três meses das eleições, resta saber como se
comportará o candidato à presidência Eduardo Campos, subindo em palanques tão
diferentes e separados por cerca de 01h de ponte aérea. Parece claro que a
aliança Campos-Marina começa a fazer água. Quem tudo quer...
Ponto para André Senger,
falando de política e economia: “Enquanto
o espetáculo da Copa do Mundo se desenrola a olhos vistos, distraindo um pouco
dos problemas cotidianos, no mundo menos glamouroso da política real desenha-se
um cenário preocupante. Se nada mudar, quando o país sair do sonho
futebolístico vai se ver em meio a uma turbulência de longa duração.”
Para acabar de vez com a
discussão em torno do fato de o resultado da Seleção Brasileira na Copa do
Mundo interferirá ou não nas urnas, George Helal (que, se não me engano, foi
presidente do Flamengo): em 1998, o Brasil foi goleado na final pela França e
FHC foi reeleito. Em 2002, o Brasil foi campeão e a oposição venceu, com Lula.
Em 2006, perdemos, e Lula foi reeleito. E em 2010, com nova eliminação, Lula
elegeu Dilma, sua sucessora. O país não se contenta mais somente com bola na
rede.
À revelia do Secretário de
Estado da Segurança Pública, Fernando Grella, e por conseguinte do Governador
Geraldo Alckmin, a Polícia Militar celebrou um ‘acordo’ com os manifestantes do
Movimento Passe Livre, o MPL, de acompanhar à distância a manifestação realizada
pelo grupo no último dia 19, na zona oeste de São Paulo. Resultado: com a infiltração
dos black blocks, agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram
invadidos e depredados, gerando um prejuízo superior a 3 milhões de reais, sem
que houvesse qualquer reação por parte da PM para impedir, ou mesmo reprimir, a
violência e o pânico generalizado.
Ao Secretário, pobrezinho,
coube somente assumir em público, no dia seguinte, sua condição de ‘marido
traído’ (aquele que é sempre o último a saber) que leva junto ladeira abaixo o
próprio Governador –ambos perdidos e pegos de surpresa.
A Polícia Militar, conhecida
entre outras coisas por sua celeridade na apuração de casos internos de quebras
de hierarquia, ingerência e omissão cometidos por gente de sua tropa, deve uma
resposta à população paulista, que é quem a sustenta. Já ao Governo do Estado,
cabe afastar imediatamente o comandante da corporação responsável por celebrar e
cumprir um ‘acordo’ que soa, no mínimo, estranho. Pra não dizer inconseqüente e
desastroso.
Ao povo, resta engolir mais
este nédio batráquio espinhudo.
No fim das contas, a verdade é
que a falta de líderes reais (e não de mentirinha) continua a fazer muito mal a
este país.

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