Benilson Toniolo
Depois de um começo
desanimador e titubeante, composto de cinco empates, uma derrota e uma
vitoriazinha de nada, eis que o time do Santos embala neste campeonato
brasileiro 2014: duas vitórias seguidas, contra Criciúma e Bahia, para respirar
um pouco mais aliviado depois de pular da décima-sexta para a décima posição.
Aí, sabe como é torcida: agora vai, pegou o jeito, a máquina está azeitada, o
professor acertou o time e pintou o campeão. Já tem gente fazendo contas: se
ganharmos o próximo e os demais dezoito times perderem, pode ser que cheguemos
à liderança. Tudo somado, é mais ou menos por aí.
O problema é que justamente
agora, no exato momento em que as coisas começam a dar certo para o Peixe, o
campeonato para em razão da Copa do Mundo. Oras, façam-nos o favor. Isto,
senhoras e senhores, é uma sacanagem da grossa. Parar o campeonato brasileiro
por causa da Copa do Mundo, logo agora?
Copa do Mundo, como todo mundo
sabe, é para quem não gosta de futebol. Quer dizer, gostar até pode ser que
goste, mas não ama, não é apaixonado pelo jogo, como é o nosso caso. Copa do
Mundo é para quem só acompanha futebol de quatro em quatro anos. Nós, não. Nós
acompanhamos o Santos todos os dias, todas as semanas, todos os meses, durante
todos os anos de nossa vida.
Com todo respeito a seleções
como Alemanha, Argentina, Inglaterra, Itália e Espanha, além, claro, da seleção
do Brasil, mas vocês não imaginam o que significam duas vitórias seguidas depois
de cinco empates e uma derrota. Vocês não fazem idéia do alívio que é poder
gritar quatro gols em dois jogos. Vocês não sabem o que é acompanhar a
escalação e ver um monte de juniores, de jogadores que tiveram de subir às
pressas das categorias de base para compor o time por pura incompetência e
falta de planejamento da Diretoria. Vocês não sabem o que é perder um
campeonato que estava no papo, nos pênaltis, para o time do Ituano. E vocês não
sabem o alívio que é ver seu time começar a deixar as proximidades da zona de
rebaixamento. E quando as coisas parecem querer começar a dar certo, vem a Copa
do Mundo e acaba com tudo. Não, vocês não sabem o que é o futebol.
A partir de agora, os
jogadores saem de férias, alguns vão ter seus contratos encerrados bem no meio
da paralisação e sabe Deus se voltam no segundo semestre. Outros voltarão acima
do peso. Outros, receberão propostas de outros times. E logo agora, quando o
time começava a embalar no campeonato. Não é justo. Sem falar que estamos
invictos na Copa do Brasil, e classificados para a terceira fase.
Não, quem organiza uma Copa do
Mundo não sabe o que é torcer para um time de futebol. Não sabe o que é sentar
a bunda numa arquibancada gelada numa noite de quarta-feira, contando os
caraminguás na carteira para saber se vai dar para comprar um copo de
refrigerante quente e que vem pela metade. Não sabe o que é ter a tabela de
classificação gravada na mente. O sujeito não sabe o seu tipo sanguíneo, mas
sabe responder rapidamente de quantos pontos seu time precisa para alcançar o
objetivo da temporada –seja o título, a classificação para a Libertadores, ou
mesmo escapar do rebaixamento.
E o pior é que a Copa se
prolonga por intermináveis trinta dias. Sabendo-se, portanto, que na volta do
Brasileirão o nosso próximo jogo é o clássico contra o Palmeiras na Vila, esta
será a maior concentração de que se tem notícia na história. E isso não se faz.
Uma torcida esperar mais de um mês –sim, porque já faz mais de uma semana que o
campeonato parou- por um clássico é até um desrespeito.
Que comece, portanto, essa tal
de Copa. Nós vamos acompanhar os jogos da Seleção com o interesse de alguém que
espera sair o pãozinho na padaria. Muito mais interessantes serão os jogos do
Chile, que tem na lateral esquerda o Mena, que no nosso Peixe é o titular
absoluto e, portanto, nos representa no Mundial.
E, se o Brasil for campeão, já
sabem: ao invés da camisa amarela, é com o nosso manto imaculado e branco que
sairemos às ruas para comemorar, a gritar, entre um e outro “Brasil”, o nosso
“Santooooosss!!!!”.
Portanto, remediado está o que
não tem remédio. Boa sorte para a Seleção do Brasil –apesar do Julio Cesar no
gol, do Jô e do Hulk no ataque e de um monte de Maxwéis e Luíses de quem nunca
ouvi falar.
E que o Brasileirão recomece
logo, por favor.
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