segunda-feira, 18 de agosto de 2014

NOVO QUADRO, NOVAS TENDÊNCIAS, E QUASE UM PAÍS NOVO

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Benilson Toniolo

Acaba de sair a primeira pesquisa do Datafolha (na edição do jornal de hoje, 18 de agosto de 2014) sobre as intenções de voto dos brasileiros para Presidente da República, cinco dias após o acidente aéreo que tirou de cena o candidato Eduardo Campos, do PSB. Segundo o instituto de pesquisas da Folha de São Paulo, a presidente Dilma Roussef continua a liderar com 36% de votos. A coisa vira agora: Marina Silva, que substituirá Campos, aparece em segundo lugar com 21%, e Aécio, então em segundo,  cai para terceiro, com 20%. Considerados os 4 pontos percentuais da margem de erro para baixo ou para cima, o quadro é imprevisível. Se Dilma tanto pode ir a 40 como a 32 que mantém a dianteira, é no “andar de baixo” que a porca torce o rabo. Marina pode chegar a 25 (o que é a tendência) ou descer a 17 (menos provável). Aécio pode chegar a 24 ou descer para 16. De qualquer forma, podemos entender que até o momento Aécio Neves é a maior vítima política do funesto acidente que tirou de cena o ex-governador de Pernambuco.
Num quadro simulado para um eventual segundo turno, Dilma ganha de Aécio e empata tecnicamente com Marina. Ou seja, se até semana passada o candidato do PSDB era o único em condições de evitar a reeleição da mandatária de vermelho, hoje este papel cabe à nortista do PSB.
Antes do acidente, a transferência de votos de Marina para Eduardo era insuficiente para levá-lo para o segundo turno. Agora, Marina volta a contar com os 20 milhões de votos que obteve pelo PV no pleito de 2010, mais os votos de Eduardo. Ela definitivamente deixa de ocupar um papel secundário para transformar-se na principal protagonista do processo eleitoral deste ano.
Com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, a estratosférica carga emocional dos últimos dias em torno de Marina e Eduardo deve ser mantida e alimentada por mais algum tempo, transformando lágrimas e consternação em votos.
Já Dilma continua a ser identificada como a candidata do mensalão, das falcatruas da Petrobras e da estagnação econômica, enquanto Aécio continua sem conseguir explicar como autorizou a construção de um aeroporto em terrenos de propriedade de sua família quando era governador de Minas Gerais. E, nunca é demais lembrar, faltam menos de dois meses para a eleição.
Com tudo isto, o mercado financeiro se põe em polvorosa a especular, elucubrar e tentar calcular o que ainda não tem valor.

Esta eleição já entrou para a História como a mais espetacular –e espetaculosa- que se tem notícia após a redemocratização. Resta tentar prever os próximos passos e torcer para que desta vez, ao contrário do que ocorreu em 1985, o que venha após a tragédia não seja uma outra tragédia.  

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