domingo, 27 de julho de 2014

SABADÂNCIAS DE 26 DE JULHO DE 2014

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Benilson Toniolo

O Maestro João Carlos Martins veio a Campos com a Filarmônica do SESI para uma única apresentação esta tarde, em uma das quadras do Tênis Clube. Um sábado de julho atípico, o de hoje, com chuva intermitente e muito frio, mas que não impediu a mim e Simone, da mesma forma como a algumas poucas centenas de pessoas, de prestigiarmos o prestigiado Maestro.
Ficamos na área destinada aos convidados oficiais –as chamadas autoridades. Vinho, coisinhas para beliscar e um barulho danado, muito característico de pessoas que não têm o hábito de freqüentar concertos. Irrita um pouco, mas a gente olha a taça até a metade do tinto francês e a mesa de tira-gostos e logo trata de esquecer a implicância. Uma bicada no vinho e adeus, irritação. Vamos à música.
Um concerto de música clássica dentro de um clube de tênis não deixa de ser algo curioso. O palco não é o de um teatro propriamente dito, o que acaba por comprometer sobremaneira a acústica. Defronte a ele, e sobre o piso da quadra de jogo, foram colocadas cadeiras de plástico que as pessoas vão arrastando à medida que se sentam e à medida em que vão perdendo a paciência com o espetáculo, que sempre parece demorar mais do que a gente imagina suportar. Na área destinada a nós, os ilustres convidados, não. Pufes e sofás acolchoados e imaculadamente brancos foram espalhados pelo ambiente impecavelmente decorado, enquanto mastigávamos damascos recheados e doces diversos cujos nomes não memorizei. Ao fundo, a orquestra tocava. E nenhum de nós parecia preocupado com os eventuais danos ao piso da quadra.
Nas ruas ao lado, buzinas tocando, carros com o som em volume altíssimo, o sino dos  “trenzinhos da alegria” a chamar turistas para o passeio, funcionários anunciando cardápios de restaurantes, risadas e conversas em altíssimo volume estalavam a todo instante e passavam a fazer parte involuntária do programa. A quarta de Beethoven, que abriu o concerto, teve tudo isso: sinos, buzinas, risadas e promessas de carne argentina legítima. O Maestro, simpático e eloqüente, parece não ter acusado o golpe. Nem quem estava na área vip, apesar dos “sshhhhhhhhhhhhhh” ouvidos vez por outra. Entre mais um gole de vinho francês e um foie-gras, claro.
Por mais nobre que tenha sido a iniciativa, um clube de tênis em plena temporada de inverno não é o lugar adequado para a realização de um concerto. Não com estas platéias. Nem a que estava dentro, tampouco a que estava fora. E muito menos comigo, mais preocupado com a comida do que com a música.
Amanhã vamos ao Auditório, ver Neschling, o das frutas impecavelmente descascadas. Havemos de ficar em meio à plebe. E teremos que almoçar cedo.


Diante da cena do latrocínio de um comerciante, atingido mortalmente com um tiro nas costas ao reagir ao sexto assalto ao seu estabelecimento somente neste ano, o senhor Secretário de Estado da Segurança Pública da Bahia vaticinou: “a responsabilidade de garantir sua segurança é do próprio cidadão, tanto em casa quanto em sua empresa”. Já a Polícia Militar de São Paulo tentou proibir os torcedores do Palmeiras de se dirigirem  ao estádio do Corinthians, para o jogo de amanhã, usando qualquer peça de roupa na cor verde (camisa do time, então, nem pensar). Também disse que os palestrinos não devem fazer uso do metrô, e sim descer dos ônibus e caminhar cerca de quatro quilômetros até o estádio. Tudo isso porque a Polícia não tem como garantir a segurança deles. A principal torcida organizada do time já declarou que não acatará nenhuma das determinações.
Duas demonstrações explicitas de falência absoluta do Estado, quando este declaradamente assume sua incapacidade e incompetência.
Enquanto isso, o jornal noticia que o Estado de São Paulo sofre a 13. alta seguida no número de roubos, com um aumento da ordem de 14,7% na comparação com o mesmo período de 2013. Já o Governo informa que os números mostram que houve, na realidade, desaceleração das ocorrências, destacando que é a primeira vez que se registra um índice inferior a 15% no ano. Na dúvida, é melhor trancar bem as portas, as janelas e acionar o alarme.
Agora, quero ver quem é que vai explicar isso tudo para a torcida do Palmeiras...

Alexandre Vidal Porto, que é o que se salva na Folha de hoje, contando em seu artigo as considerações que fazia enquanto levava a passear seus cães: ‘A Crimeia é anexada pela Rússia. Insurgentes declaram um extenso califado fundamentalista entre o Iraque e a Síria. Garotas são roubadas na Nigéria. Países se desfazem. Um avião comercial é abatido sabe-se lá por quem. Corpos de passageiros empilham-se em vagões. A faixa de Gaza é invadida por Israel. Corpos de crianças misturam-se aos escombros. A ONU informa que, pela primeira vez desde a Segunda Guerra, o número de refugiados no mundo ultrapassou 50 milhões. Na academia diplomática, nos ensinam que a melhor maneira de prevenir briga com vizinhos é o diálogo e a negociação, e eu penso em como seria melhor se os lideres com a cara de mau parassem de fazer coisas inacreditáveis e passassem a conversar mais, para se entender melhor’.
Mal-informado e econômico ao elencar o rol das tragédias contemporâneas, o nosso diplomata. Não deve ainda estar sabendo do escândalo da Cruz Vermelha brasileira, flagrada desviando recursos que seriam inicialmente destinados a desabrigados no Rio de Janeiro, no Japão e na Somália –isso só para ficarmos na tragédia do dia. Sim, atualmente noticia-se, no mínimo, uma tragédia –ou escândalo, ou genocídio- por dia.

Aécio Neves, que se auto-denomina o Redentor que irá expulsar o PT do poder, pisou feio na bola, ao não conseguir explicar por que mandou construir, com recursos públicos, um aeroporto no município onde a família dele possui uma fazenda, quando era governador do Estado de Minas Gerais. Vai muito mal, o candidato da oposição. O que é lamentável para os brasileiros, que devem aprender que é através destas ações, aparentemente sem importância, que se pode identificar o caráter daqueles que pretendem nos governar.

Marina Silva  ordenou que sua imagem fosse retirada dos cartazes em que aparece ao lado de seu candidato de chapa, o presidenciável Eduardo Campos, e do governador paulista Geraldo Alckmin, do PSDB de Aécio. Está muito claro o desconforto da senadora com a forma como a cúpula do PSB tem tratado as adesões, alianças e coligações pelo Brasil afora. Marina, na verdade, parece querer dissociar sua imagem  desta verdadeira orgia em se transformou a política eleitoral –no que faz muito bem. Será que não rola nem um arrependimentozinho pela decisão de ter-se aliado a Campos?

É por essas e outras que o candidato Pastor Everaldo tem crescido nas pesquisas, a ponto de ser figura garantida nos debates presidenciais e entrevistas dos meios de comunicação com os principais candidatos.


Continuamos firmes na caminhada que transformará o Brasil numa República Fundamentalista Evangélica.

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