sexta-feira, 29 de novembro de 2013

NÓS E ELES


Benilson Toniolo

Brasília recebe por estes dias mais uma edição da Gymnasíade, a maior competição mundial de estudantes-atletas, ou atletas-estudantes. Uma espécie de olimpíada para a molecada. Muitos dos que aqui estarão certamente nos próximos Jogos Olímpicos, se não no Rio de Janeiro, dentro de pouco mais de dois anos, mas nos posteriores. Uma moçada muito bonita, com seus agasalhos coloridos e seus rostos recém-entrados na adolescência. Alguns já saindo dela, é verdade, mas não menos belos. Então é comum encontrar por aí com grupos de jovens russos, mexicanos, cubanos, chineses, cipriotas, espanhóis, franceses, gregos e chilenos, só para citar os que dividem o mesmo hotel onde me hospedo na Capital Federal. Alongam esguiamente no lobby, pelas escadarias, no elevador. Fotografam, falam ao telefone e ouvem muita música nos seus equipamentos fantásticos. E como riem, como riem gostosamente esses jovens atletas!
Estão pela cidade toda. Nas ruas, nos shoppings, no metrô, nos pontos de ônibus. E sofrem com uma dificuldade imensa: comunicar-se com a maioria dos brasileiros. Nos últimos dois dias, flagrei algumas cenas constrangedoras envolvendo estrangeiros querendo comprar coisas, ou mesmo obter uma simples informação, e não conseguirem ser entendidos por nossos compatriotas. Na livraria, no coffee-shop do hotel, no ponto de taxi, no Museu JK, enfim, é comum vermos nossos visitantes passando apuros pelo fato de os atendentes não conseguirem saberem se comunicar com eles.
Devíamos ter sido informados com a devida antecedência que o País entraria no rol dos grandes destinos do mundo. Não nos preparamos, é isso que dá. Temos que pedir desculpas duas vezes: aos nossos visitantes, por não sabermos nos comunicar o mínimo que seja naquele que é o idioma que permeia as relações comerciais ao redor do planeta; e ao nosso próprio país, pois são incontáveis as vendas no comércio que acabam frustradas pela nossa incompetência, pela nossa falta de conhecimento e de educação. Menos divisas para os cofres da nação, por simples falta de capacidade básica de comunicação.

Se bem que a atendente do hotel ainda dá um jeito -o jeito dela. Ao ver um estrangeiro se aproximando do balcão, ela abre a portinhola de entrada, encosta-se nos fundos da loja, dá um meio-sorriso simpático e orienta o cliente: ‘entra e pega’. Como o valor da mercadoria está na etiqueta, a ele só é dado o trabalho de pagar e, a ela, o de dar o troco, quando troco houver. O cliente, quando se lembra, agradece com um ligeiro aceno de mão. Ponto para o Brasil.

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