Benilson Toniolo
A Ministra da Cultura abriu a III
Conferência Nacional de Cultura de forma exemplar: sem lançar mão de afetações e
‘protocolismos’, fez um discurso breve e direto, elencando as principais realizações
de sua pasta nos quatorze meses de sua gestão e fazendo um apelo em prol da inserção
dos jovens das periferias e dos mais distantes recantos do País na tomada de decisões.
Em nossa reunião em São Paulo, há quinze dias, já tinha tido a impressão de ser
ela uma pessoa simples, honesta e comprometida. Difícil vincular o que tenho
visto com a imagem que a imprensa, principalmente a tevê, fazem dela. Penso que
a Cultura brasileira está em boas mãos. Recordo que critiquei muito sua indicação.
Hoje, retiro o que disse. Marta Suplicy está fazendo, sim, um excelente
trabalho. E temos aprendido muito com ela.
Hoje, no Brasil, é pura perda de
tempo, saliva e tinta de caneta querer discutir com dois grupos: o que acha que
o mensalão do PT é o maior escândalo de corrupção da história do País e o que
acha que os encarcerados (principalmente o trio Delúbio-Dirceu-Genoíno) são presos
políticos injustiçados e perseguidos por uma elite ensandecida e por uma mídia
golpista. Apropriar-se de dinheiro público não-declarado para comprar o apoio
de parlamentares ao Governo é crime. Ponto. E quem comete crimes deve ser
julgado e punido. Não há mal algum nisso.
Grave, grave mesmo, é saber que
ao menos 56 pessoas no Estado de São Paulo ficaram presas injustamente por
dias, meses e anos, apenas por terem nomes parecidos ou serem homônimos dos
verdadeiros criminosos. Alguns, foram detidos por terem seus documentos
roubados e utilizados no crime. Ou seja, são vítimas de um Estado
desorganizado, incompetente e corrupto, que faz uso de sistemas de controle que
não funcionam. Para eles, indenização –que o Estado sempre protela o quanto
pode, recorrendo em todos os níveis que a Justiça permite- é pouco. Mereciam
iniciar de novo uma nova existência. Isso é muito mais grave que a prisão dos
mensaleiros –ainda que sejam, ambos, fatos inaceitáveis.
Enquanto isso, a Suécia anuncia o
fechamento de quatro penitenciárias devido –pasmem!- à falta de presos. Esta é,
na síntese, a diferença que um sistema educacional eficiente faz em um país.
Aqui no Brasil, o governo continua buscando espaço e dinheiro para construir
novos presídios.
“Os grão-tucanos garantem que Lula sabia das traficâncias dos mensaleiros.
Esses mesmos grão-tucanos garantem que nenhum dos três governadores paulistas
sabia das traficâncias do cartel da Alstom. Pode-se acreditar numa coisa ou na
outra, mas acreditar nas duas é tarefa difícil’. Frase de Elio Gaspari na
Folha. E acreditar que todos sabiam de absolutamente tudo?

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