sábado, 14 de dezembro de 2013

CURITIBA: AMIGOS NOVOS, NOVAS SAUDADES

Benilson Toniolo


Disse Cervantes que ‘aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito’. Não tenho esta pretensão toda, mas o fato é que gosto muito de viajar. De ônibus, de trem, de avião, automóvel. Infelizmente tive que adiar uma viagem que planejava, e que duraria mais de 40 horas, no lombo de um ônibus, até União dos Palmares, interior de Alagoas e terra de meu pai, que faria agora em janeiro próximo, em razão das avarias no joelho esquerdo. Mas a idéia continua de pé. Será uma orgia literária. Quarenta horas dentro de um ônibus, já imaginaram a quantidade de poemas a escrever e a ler? Mas o fato é que o calor do verão nordestino também assusta, e não desejo chegar a União vindo do conforto de um vôo tranqüilo ou de ônibus-leito. Desejo sentir cada metro da estrada, cada enfado e cada descoberta, cada imagem e até mesmo cada irritação. Mas e os riscos de assaltos no meio da estrada? Todos os passageiros nus – os que sobraram, evidentemente, vivos- enfiados no bagageiro, como fazem no chamado ‘polígono da maconha’, que vai da Bahia até Pernambuco? Com a canícula nordestina? Melhor esperar.
O que não acontece aqui em Curitiba, onde no momento me encontro para receber a Medalha do Mérito Cultural 2013, a mim atribuída pelo pessoal do Movimento Poetizar o Mundo, comandado pela professora Isabel Furini. Aqui é frio. Lembra muito Campos do Jordão, não só pelo clima como também pela onipresença dos pinheiros. A bandeira da cidade é muito parecida –diria idêntica- à nossa.
A entrega da medalha foi ontem, durante um evento cultural que contou com a abertura de uma exposição de quadros, fotografias e leitura de poemas de artistas paranaenses. Chamava-se Perspectivas, a exposição. O local é um centro gastronômico-cultural, chamado Alberto Massuda, no centro histórico de Curitiba. Boas conversas sobre arte, política, cultura, história. Gente boníssima, do tipo que oferece carona para te levar de volta ao hotel. Aceito, obrigado. Na agenda para o ano que vem, promover intercâmbio entre artistas jordanenses e curitibanos. Derrubei espumante em um prato de patês que fazia parte do coquetel. Me desculpei com o garçom.
Saí para o aeroporto ainda escuro, antes das cinco da manhã. Às onze, já estava em casa, sendo recebido pelo cheirinho do café de Simone. As malas mais pesadas que na ida –sempre é assim- de tantos livros recebidos, presentes, camisetas. A alma repleta de novas memórias e o coração ainda se refazendo das alegrias que este encontro me proporcionou. Por tudo isso, já vale a pena o acidente de estar vivo.

Sim, ainda trago Curitiba nos olhos. E não li Leminski sobre as ruas de paralelepípedo, ocupado que estava em admirar o céu e a terra da capital do Paraná. Esqueçam a Europa. Curitiba, dependendo de quem a visita, é até melhor.



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