Benilson Toniolo
Disse Cervantes que ‘aquele que
lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito’. Não tenho esta pretensão toda,
mas o fato é que gosto muito de viajar. De ônibus, de trem, de avião, automóvel.
Infelizmente tive que adiar uma viagem que planejava, e que duraria mais de 40
horas, no lombo de um ônibus, até União dos Palmares, interior de Alagoas e terra de meu pai, que
faria agora em janeiro próximo, em razão das avarias no joelho esquerdo. Mas a idéia
continua de pé. Será uma orgia literária. Quarenta horas dentro de um ônibus,
já imaginaram a quantidade de poemas a escrever e a ler? Mas o fato é que o
calor do verão nordestino também assusta, e não desejo chegar a União vindo do
conforto de um vôo tranqüilo ou de ônibus-leito. Desejo sentir cada metro da
estrada, cada enfado e cada descoberta, cada imagem e até mesmo cada irritação.
Mas e os riscos de assaltos no meio da estrada? Todos os passageiros nus – os que
sobraram, evidentemente, vivos- enfiados no bagageiro, como fazem no chamado ‘polígono
da maconha’, que vai da Bahia até Pernambuco? Com a canícula nordestina? Melhor
esperar.
O que não acontece aqui em
Curitiba, onde no momento me encontro para receber a Medalha do Mérito Cultural
2013, a mim atribuída pelo pessoal do Movimento Poetizar o Mundo, comandado pela professora Isabel Furini. Aqui é frio.
Lembra muito Campos do Jordão, não só pelo clima como também pela onipresença
dos pinheiros. A bandeira da cidade é muito parecida –diria idêntica- à nossa.
A entrega da medalha foi ontem,
durante um evento cultural que contou com a abertura de uma exposição de
quadros, fotografias e leitura de poemas de artistas paranaenses. Chamava-se
Perspectivas, a exposição. O local é um centro gastronômico-cultural, chamado Alberto
Massuda, no centro histórico de Curitiba. Boas conversas sobre arte, política,
cultura, história. Gente boníssima, do tipo que oferece carona para te levar de
volta ao hotel. Aceito, obrigado. Na agenda para o ano que vem, promover
intercâmbio entre artistas jordanenses e curitibanos. Derrubei espumante em um
prato de patês que fazia parte do coquetel. Me desculpei com o garçom.
Saí para o aeroporto ainda
escuro, antes das cinco da manhã. Às onze, já estava em casa, sendo recebido
pelo cheirinho do café de Simone. As malas mais pesadas que na ida –sempre é
assim- de tantos livros recebidos, presentes, camisetas. A alma repleta de
novas memórias e o coração ainda se refazendo das alegrias que este encontro me
proporcionou. Por tudo isso, já vale a pena o acidente de estar vivo.
Sim, ainda trago Curitiba nos
olhos. E não li Leminski sobre as ruas de paralelepípedo, ocupado que estava em admirar o céu e a terra da capital do Paraná. Esqueçam a Europa. Curitiba, dependendo de quem a visita, é até melhor.


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