terça-feira, 12 de novembro de 2013

BRASIL: MAIS DO MESMO



Benilson Toniolo

Não gostei do tom usado por uma usuária do twitter ao protestar pelo fato de ter sido acordada às sete da manhã de sábado com uma ligação de um presídio – o velho golpe do seqüestro. Tudo bem que o caso é grave e as autoridades brasileiras parecem não fazer o menor esforço para eliminar esta inaceitável prática do nosso cotidiano, mas daí a aceitar que a moça escreva que "o Brasil é um país de merda", já é um pouco demais. Afinal, era só desligar o celular e voltar a dormir.
Não, não chegamos a tanto. Mas vale a pena analisar, ainda que superficialmente, duas matérias destacadas na Folha do mesmo sábado, para que tenhamos uma idéia mínima  do rumo que esta imensa catraia chamada Brasil está tomando –se é que há algum rumo neste oceano interminável de tragédias.
E veremos que, diferentemente do que disse a tuiteira, somos no máximo, no máximo, um grande flato, para ficarmos na esfera gastrointestinal do problema.

O POTÁSSIO É NOSSO
Duas novas jazidas de potássio descobertas na bacia do Amazonas podem ajudar o Brasil a acabar com a dependência externa do produto –ingrediente básico dos fertilizantes. No último ano, o país importou 6 milhões de toneladas, o que representa mais de 90% do consumo total.
Segundo Hélio Diniz, presidente da Potássio do Brasil –subsidiária da canadense Brazil Potash Corporation- ‘as seis minas descobertas têm capacidade para produzir todo o volume consumido pelo Brasil’.
Entretanto, em função do alto investimento necessário para iniciar o projeto de extração (US$ 2 bi), a empresa pretende iniciar a produção somente em 2018.
Sei não, mas tenho a impressão que tem coisa (s) errada (s) nessa história. A responsável pelo potássio em solo brasileiro é uma empresa canadense, que chama para si a responsabilidade  pela extração de um mineral que, afinal, está em solo brasileiro. Ou seja, a independência do país com relação ao potássio está nas mãos dos canadenses. Venderam o solo brasileiro, sim. Mas para quem? Quando? Por quanto? De que forma?
E continuaremos –pois esta é nossa sina- importando milhões de toneladas ao ano daquilo que, em nosso solo, abunda. Pelo menos até 2018, quando muito provavelmente o Brasil passará a considerar a possibilidade de comprar dos canadenses aquilo que está em seu –dele- próprio território. Se é que o território ainda é nosso...

 CARGAS – MELHOR NÃO TÊ-LAS...
Aumentou em 46% o roubo de cargas (preponderantemente, de celulares e computadores) na região de Campinas. A situação é de absoluto descontrole. Os aumentos registrados neste ano são de 700% em Itupeva, 400% em Indaiatuba, 167% em Vinhedo, 150% em Jundiaí, 117% em Valinhos e 67% em Louveira. Ou seja, perdeu-se o controle de forma definitiva do que a bandidagem apronta na região.
Além das conseqüências naturais de uma terra sem lei, quem paga o prejuízo somos nós, os consumidores de bem que não cometem crimes. Porque, se o roubo aumenta, o preço do seguro das cargas aumenta na mesma proporção, o que causa também aumento no preço final do produto. Podemos entender que as quadrilhas agem livremente, o governo permanece na habitual inércia e o consumidor é quem arca com todo o prejuízo. Mas tudo bem, porque nós, os eternos otários, compramos e pagamos em 12 vezes no cartão de crédito, carnê, cheque pré-datado ou boleto bancário -sem juros, evidentemente, como anunciam na TV que, por sinal, ainda estamos pagando- e saímos da loja convencidos de que fizemos um bom negócio.
Mas voltando ao tema: segundo profissionais dos setores de transportes e segurança, a falta de combate à receptação é o principal estímulo ao roubo de cargas.
O comando da PM na região informa que ‘estamos mapeando as regiões e os horários mais críticos e desenvolvendo um serviço de inteligência para combater esse tipo de crime’. Resposta burocrática, protocolar e repleta de gerúndios para informar que pouco ou nada está sendo feito de prático para resolver o problema. Talvez em 2015, depois das eleições para o Governo do Estado...

 EU ME LEMBRO...
Aos poucos, vou entendendo melhor por qual motivo a coluna dominical de Daniel Piza no Estadão chamava-se ‘Por que não me ufano’. Nada mais apropriado.

Falando nisso, que falta faz o Daniel...

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