RIO CUIABÁ
Benilson Toniolo
I
O
rio que passa por mim
E
me traga
É
caudaloso e profundo
De
palavras rasas.
Quanto
mais me movo, mais me afogo,
Com
a violência incontrolável das águas
E
dos sentimentos.
II
O
sol banha o rio
Com
suas línguas de fogo
E
seu perfume
De
todos os tempos.
Eternidades
amancebadas.
III
Aprendi
uma nova cor
Que
sabe a água e a folha,
Cuja
profundidade de rios sobrepostos
Se
anula à delicada pressão dos meus dedos.
Cor
de ferro,
De
pluma,
De
árvore,
De
menino em movimento e liberdade.
Uma
cor adocicada me coube
Etérea
como jamais pensei existir.
Uma
cora onde residem
Todos
os plenilúnios,
E
as crianças todas.
Solene
como um átrio,
E
plena como o desejo
De
liberdade.
IV
Nada
é mais vivo que este rio,
De
braços viris e veias caudalosas,
De
curso violento e decidido,
A
inundar a eternidade das pedras
E
o musgo dos matagais.
A
açoitar na noite os troncos das árvores
E
a ignorar, sabiamente,
A
irracionalidade de todos os homens.
V
A
qualquer momento
Pode
nascer um Poema dos olhos do rio.
Um
poema devastado e purulento,
Coberto
de pó dourado,
Coberto
de séculos e musgos
Trazidos
do Tempo.
A
qualquer momento
O
Poema do Rio atravessará a Terra
E
fixará residência
No
mais profundo do coração humano.
A
iluminar, silencioso e eterno,
Todo
Amor e todo Entendimento.
VI
A
pedra lisa
Como
o dorso do peixe
Observa
a cabeleira
Alvoroçada
do rio,
Que
corre em sua volúpia
De
criança libertada.

Gosto muito desses poemas de Cuiabá. Que bom que agora ganharam forma de livro. Parabéns, Benilson.
ResponderEliminarUm grande abraço.
Brandão